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  • 'Perdi tudo!

     
    ----- Original Message -----
    Sent: Thursday, July 24, 2008 7:56 PM
    Subject: 'Perdi tudo!

    'Perdi tudo!

    O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. 'Perdi tudo!' 'O que é que perdeu?' perguntou-lhe um repórter.
    'Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem...' Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos autodesalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga 'quatro ou cinco euros de renda mensal' pelas habitações camarárias.

    Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que 'até a TV e a playstation das crianças' lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência.

    A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam 'quatro ou cinco Euros de renda' à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a 'quatro ou cinco euros mensais' lhes sejam dados em zonas 'onde não haja pretos'. Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade.

    O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - 'ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos.' A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e autodenominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.            Mário Crespo

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  • Amante mata com cinco tiros

    Aveiro - mulher de 45 anos queria acabar namoro e ele recusava

    imagedownload.aspx.jpeg Uma mulher de 45 anos, divorciada, foi ontem de manhã morta a tiro por um homem com quem pretendia terminar uma relação amorosa. O crime ocorreu a poucos minutos das 07h00, em Esgueira, Aveiro, no lugar de Agras do Norte, onde a vítima , Rosário Albino, residia com a filha e com o genro, que já tinham saído para o trabalho.

    O homem, Jorge Moreira, de 32 anos, casado e residente em Oliveirinha, foi ter com a mulher, pela primeira vez, por volta das 06h30, mas ela recusou-lhe a entrada em casa. Como ele insistiu, ela chamou os pais, que moram a 150 metros, e ele acabou por ir embora. Cerca de 25 minutos depois, voltou com o objectivo de cometer o crime.

    Segundo apurámos junto de fonte policial, ele bateu à porta, dizendo que só queria conversar, mas, logo que ela abriu, apontou-lhe a pistola, calibre 6,35mm de alarme adaptada, e deu-lhe três tiros, um no pescoço e dois no peito. Depois de ela cair, ainda lhe deu mais dois tiros nas costas.

    Para além destes cinco disparos, ainda puxou o gatilho mais duas vezes. Um dos tiros não terá atingido ninguém e o outro feriu o homicida no abdómen.

    A vizinha que vive no andar de cima disse às autoridades que ouviu sete tiros e que quando desceu viu a mulher caída por terra e ele por cima dela. Apesar de ferido, Jorge Moreira pediu à mulher para chamar o INEM, o que esta fez de imediato.

    Relação difícil

    A primeira ideia era a de que o homem matou a mulher e se tentou suicidar,mas a polícia suspeita de que o disparo que o atingiu tenha sido acidental.

    A relação entre Rosário e Jorge, que tinha começado há seis meses, não era fácil. Ela tinha decidido que não queria mais homens em casa e o relacionamento de ambos vivia de encontros esporádicos.

    Só que ele insistia numa relação mais intensa e as discussões começaram a ser frequentes.Ainda anteontem os pais dela tinham sido chamados para impedir que ele entrasse em casa. Ontem voltou a haver discussão, só que seguida de cinco tiros fatais.

    PORMENORES

    Pistola adaptada

    Arma usada por Jorge Moreira era uma 6.35mm de alarme adaptada a munição real. Quando a PSP chegou ao local do crime, ele ainda tinha a pistola na mão, com duas munições no carregador. Entregou--a sem oferecer resistência.

    Muito sangue

    Apesar da rápida intervenção das autoridades e dos bombeiros, os cinco tiros foram fatais a Rosário Albino. A entrada da casa ficou com marcas de sangue por todo o lado. Quem lá esteve fala em cenário de horror.

    Feitio difícil

    Rosário Albino tinha sido alertada muitas vezes, por familiares e vizinhos, para o feitio difícil de Jorge Moreira. No entanto, dizia às pessoas para não se preocuparem porque, assegurava, o caso entre ambos estaria prestes a ser resolvido.

    Detido no hospital

    Jorge Moreira está internado, sob detenção, no Hospital de Aveiro. Foi ontem alvo de uma intervenção cirúrgica e, ao que apurámos, o seu estado é grave mas não corre perigo de vida .

    CORREIO DA MANHA

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